Epifisiólise: a condição que causa dor no quadril em adolescentes
Postado em: 06/03/2026

A epifisiólise no quadril de adolescente é uma urgência ortopédica que acontece quando a cabeça do fêmur escorrega em relação ao colo do osso, na região da placa de crescimento.
Em inglês, o quadro é chamado de slipped capital femoral epiphysis (SCFE). O problema é sério porque, sem tratamento, o escorregamento pode piorar e aumentar o risco de complicações importantes, incluindo necrose avascular da cabeça do fêmur.
E aqui mora um perigo clássico: nem sempre a dor aparece “no quadril”. Em muitos adolescentes, ela surge no joelho, na coxa ou como um mancar persistente que vai sendo tratado como esforço, fase de crescimento ou lesão esportiva.
A Dra. Tyala Oliveira chama atenção justamente para isso: adolescente que manca, protege a perna e começa a perder mobilidade do quadril precisa ser avaliado sem demora.
O que é epifisiólise?
De forma simples, é um deslizamento da cabeça do fêmur sobre a placa de crescimento. A cabeça do osso permanece dentro do acetábulo, mas o restante do fêmur se desloca em relação a ela.
A AAOS e o Orthobullets descrevem a epifisiólise como uma condição típica da adolescência, ligada à placa de crescimento proximal do fêmur, com confirmação diagnóstica por radiografias do quadril.
Ela pode ser estável, quando o adolescente ainda consegue andar, ou instável, quando ele não consegue apoiar o peso. Essa diferença pesa bastante no prognóstico, porque os quadros instáveis têm risco maior de complicações.
Quem tem mais risco?
A epifisiólise é mais comum em adolescentes, especialmente durante o estirão puberal. Ela aparece com mais frequência em meninos e em pacientes com sobrepeso ou obesidade.
Materiais da AAOS, Orthobullets e NHS também destacam maior incidência na faixa de cerca de 10 a 16 anos, embora possa ocorrer fora desse intervalo, principalmente em casos associados a distúrbios endócrinos.
Esse perfil importa porque ajuda a acender o alerta. Adolescente com sobrepeso, dor no quadril ou no joelho e marcha alterada não deve ficar semanas esperando melhora espontânea.
Sintomas: por que tanta gente confunde?
Os sintomas mais comuns incluem:
- Dor no quadril, na virilha, na coxa ou no joelho;
- Mancar ou correr de um jeito diferente;
- Perda de rotação interna do quadril;
- Pé virado para fora ao andar;
- Piora progressiva da dor com atividade.
Por que é urgência?
Porque epifisiólise não é quadro para observar em casa por vários dias. O escorregamento pode progredir, e os casos instáveis têm associação importante com necrose avascular e pior prognóstico articular no futuro.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa pela suspeita clínica. Adolescente com dor no quadril ou joelho, limitação de rotação interna e marcha alterada precisa de exame físico cuidadoso.
A confirmação costuma ser feita com radiografias do quadril, que são o exame de imagem básico para esse quadro.
Na prática, a avaliação da Dra. Tyala Oliveira considera dor, apoio, marcha, mobilidade e alinhamento do quadril. Quando há suspeita de epifisiólise, o tempo importa.
Tratamento: é sempre cirúrgico?
Sim. A epifisiólise é tratada com cirurgia. O tratamento padrão dos casos estáveis costuma ser a fixação in situ com parafuso, para impedir novo escorregamento.
Em casos selecionados, a equipe também pode discutir a fixação do outro lado, quando o risco de acometimento contralateral é maior.
Nos quadros instáveis ou mais graves, a abordagem cirúrgica pode ser mais complexa. O ponto essencial é este: não existe tratamento conservador para “ver se melhora”.
Prognóstico: o que esperar?
O prognóstico costuma ser melhor quando o diagnóstico é feito cedo e o escorregamento ainda é menor. Casos estáveis tendem a ter evolução mais favorável do que os instáveis.
Quanto mais grave o deslizamento, maior o risco de necrose avascular, deformidade residual e artrose futura. Por isso, o maior erro costuma ser atrasar a investigação.
FAQ
Dor no joelho pode ser epifisiólise?
Pode. A dor no joelho é uma apresentação possível e pode atrasar o diagnóstico quando o quadril não é examinado.
Todo adolescente com epifisiólise manca?
Não necessariamente no começo, mas mancar é um sintoma muito comum, especialmente com a progressão da dor.
Radiografia confirma o diagnóstico?
Na maioria dos casos, sim. As radiografias do quadril são o exame básico para confirmar a suspeita.
Epifisiólise melhora sem cirurgia?
Não. O tratamento é cirúrgico. Esperar pode piorar o escorregamento e aumentar o risco de complicações.
Quando o quadril avisa, não vale esperar
Quadril dolorido em adolescente que manca não deve entrar na gaveta do “vamos ver se passa”. Se há suspeita de epifisiólise no quadril de adolescente, a conduta correta é procurar avaliação ortopédica com urgência. A Dra. Tyala Oliveira avalia esse tipo de quadro com foco em diagnóstico rápido, proteção do quadril e encaminhamento cirúrgico no tempo certo quando necessário.